Virginia Woolf (Londres, 25 de Janeiro de 1882 — Lewes, 28 de Março de 1941) foi uma escritora, ensaísta e editora britânica, conhecida como uma das mais proeminentes figuras do modernismo.

Woolf era membro do Grupo de Bloomsbury e desempenhava um papel de significância dentro da sociedade literária londrina durante o período entreguerras. Seus trabalhos mais famosos incluem os romances Mrs Dalloway (1925), Passeio ao Farol (1927) e Orlando (1928), bem como o livro-ensaio Um Quarto Só Para Si (1929), onde encontra se a famosa citação "Uma mulher deve ter dinheiro e um quarto próprio se ela quiser escrever ficção"

Estreou na literatura em 1915 com um romance (The Voyage Out) e posteriormente teria realizado uma série de obras notáveis, as quais lhe valeriam o título de "a Proust inglesa". Faleceu em 1941, tendo cometido suicídio.
Virginia Woolf era filha do editor Leslie Stephen, o qual deu-lhe uma educação esmerada, de forma que a jovem teria frequentado desde cedo o mundo literário.
Em 1912, casou-se com Leonard Woolf, com quem funda, em 1917, a Hogarth Press, editora que revelou escritores como Katherine Mansfield e T.S. Eliot. Virginia Woolf apresentava crises depressivas. Em 1941, deixou um bilhete para seu marido, Leonard Woolf, e para a irmã, Vanessa. Neste bilhete, ela se despede das pessoas que mais amara na vida, e comete suicídio.

Virginia Woolf foi integrante do grupo de Bloomsbury, círculo de intelectuais que, após a Primeira Guerra Mundial, se posicionaria contra as tradições literárias, políticas e sociais da Era Vitoriana A obra de Virginia é classificada como modernista. O fluxo de consciência foi uma de suas marcas mais conhecidas e da qual é considerada uma das criadoras.

Suas reflexões sobre a arte literária - da liberdade de criação ao prazer da leitura - baseadas em obras-primas de Conrad, Defoe, Dostoievski, Jane Austen, Joyce, Montaigne, Tolstoi, Tchekov, Sterne, entre outros clássicos, foram reunidos em dois volumes publicados pela Hogarth Press em 1925 e 1932 sob o título de The Common Reader - O Leitor Comum, homenagem explícita da autora aquele que, livre de qualquer tipo de obrigação, lê para seu próprio desfrute pessoal.
Uma seleta destes ensaios, reveladores da busca de Virginia Woolf por uma estética não só do texto, mas de sua percepção, foi reunida em língua portuguesa em 2007 pela Graphia Editorial, com tradução de Luciana Viegas. Virginia Woolf editou outro livro também: "A Viúva e o papagaio" o qual não teve muito sucesso.
Obra

Sua primeira obra foi A viagem, publicada em 1915.
O romance Mrs. Dalloway ficou conhecido pelo filme As Horas, baseado na obra homônima de Michael Cunningham, filme no qual Virginia foi interpretada por Nicole Kidman, premiada com um Oscar por seu retrato da escritora britânica. As Horas conta várias histórias, mescla a vida da própria autora numa personagem e coloca algumas particularidades de Mrs. Dalloway numa dessas histórias. Em Mrs. Dalloway, Virginia descreve um único dia da personagem, quando ela prepara uma festa.

Sua obra mais conhecida é Orlando, publicada em 1928. É uma fantasia histórica sobre a era elisabetana.
Após terminar As Ondas, uma de suas obras mais importantes, Virginia Woolf estava exausta. Ela seguiu então para a sua casa de campo levando o livro das cartas entre os poetas Elizabeth Barrett e Robert Browning. Na leitura, percebeu a presença permanente de um cachorro, Flush; resolve então, por diversão, escrever a visão desse cachorro do mundo à sua volta.
Essa obra foi muito elogiada por fazer um relato minucioso sobre a época dos poetas. Ironicamente foi a obra que mais deu retorno financeiro à escritora e a mais traduzida em outros idiomas.
A sua última obra foi Entre os atos, publicada em 1941, posterior à sua morte.
Suicídio

No dia 28 de Março de 1941, após ter um colapso nervoso Virginia suicidou-se. Ela vestiu um casaco, encheu seus bolsos com pedras e entrou no Rio Ouse, afogando-se. Seu corpo só foi encontrado no dia 18 de abril.[1]
Em seu último bilhete para o marido, Leonardo Woolf, Virginia escreveu:

Querido,
Tenho certeza de estar ficando louca novamente. Sinto que não conseguiremos passar por novos tempos difíceis. E não quero revivê-los. Começo a escutar vozes e não consigo me concentrar. Portanto, estou fazendo o que me parece ser o melhor a se fazer. Você me deu muitas possibilidades de ser feliz. Você esteve presente como nenhum outro. Não creio que duas pessoas possam ser felizes convivendo com esta doença terrível. Não posso mais lutar. Sei que estarei tirando um peso de suas costas, pois, sem mim, você poderá trabalhar. E você vai, eu sei. Você vê, não consigo sequer escrever. Nem ler. Enfim, o que quero dizer é que é a você que eu devo toda minha felicidade. Você foi bom para mim, como ninguém poderia ter sido. Eu queria dizer isto - todos sabem. Se alguém pudesse me salvar, este alguém seria você. Tudo se foi para mim, mas o que ficará é a certeza da sua bondade, sem igual. Não posso atrapalhar sua vida. Não mais. Não acredito que duas pessoas poderiam ter sido tão felizes quanto nós fomos.V.





Anna Kingsford

Contra a injustiça e a opressão, essa escritora, médica e religiosa morreu lutando a favor daquilo que acreditava: o vegetarianismo e a igualdade feminina. Dedicou sua vida para defender os preceitos em que acreditava. Sua preocupação com os direitos das mulheres foi de tal forma que ela se tornou uma oradora eloquente pública sobre o tema, promovendo uma educação igual para meninos e meninas, e da formação e reconhecimento dos médicos do sexo feminino.

Nos dias de sua infância ela costumava dizer que era “da família das fadas e não dos humanos”. Ela tinha visões e parece ter tido alguma habilidade psíquica. Mística, ela costumava colocar nas flores do jardim mensagens para as fadas, dizendo-se pertencente a essa linhagem.

Mas foi a escrita que ganhou sua dedicação e ela se refugiava nos versos para expressar suas ideias sem ser censurada. Ela tinha talento para música, canto, desenho e pintura; mas, mais do que tudo, ela era uma poetisa.

Em sua juventude o seu grande recurso foi escrever, e foi principalmente em versos que ela buscou expressão para suas ideias. A qualidade de seus poemas, enquanto ainda apenas uma criança, era tamanha que lhe conquistou espaço em várias revistas. Seu primeiro livro – Beatrice: a Tale of the Early Christians (Beatriz: um Conto dos Primeiros Cristãos) – publicado em 1863, foi escrito quanto tinha treze anos. A respeito dessa obra ela disse: “Tudo me veio como que pronto, e tive apenas que escrever”. Na dobra da capa de uma cópia desse livro, estão escritas as seguintes palavras:

“Receba-o Oh Senhor
E permita que seja,
Como algo que fiz para Vós!
Annie Bonus.”

Antes do final do ano ela havia passado no exame preliminar da escola de farmácia, e estava planejando, em breve, ir para Paris com o propósito de lá ser admitida na Faculdade de Medicina – uma vez que as autoridades em Londres haviam proibido o ingresso de mulheres nas suas faculdades de medicina. Formou-se em 1880.

Ela também foi influenciada pela questão do regime alimentar. Seguindo o conselho de seu irmão mais velho (John Bonus) ela já havia deixado de comer carnes “com tamanhos benefícios para ela mesma, física e mentalmente, que a levaram a ver nessa prática o único meio efetivo para a redenção do mundo, seja em relação aos próprios homens ou aos animais”.

O homem, sendo carnívoro e se sustentando por meio da matança e da tortura, não era para ela de modo algum homem, em qualquer sentido verdadeiro do termo.

Ela também escreveu: “Dois caminhos se estendem ante os homens – o caminho do bem e o caminho do mal – e o homem é livre para escolher entre eles. Os homens de Ciência devem escolher, assim como os comerciantes, escritores ou artistas. A perspectiva do sucesso pode seduzir aquele que entra no caminho do mal, mas isso é o glamour de uma sutil armadilha, e que cedo ou tarde acabará em catástrofe; pois não foi nenhum princípio do mal que construiu o universo. Um método que é moralmente errado não pode ser cientificamente correto. O teste da consciência é o teste da validade”.

Por essa motivação, o trabalho de conclusão de curso de Anna chamou-se: Da Alimentação vegetariana para o Ser Humano, que imediatamente foi considerado como um dos textos mais importantes sobre o assunto, e foi traduzido para várias línguas.

“Essa obra é um marco na história do vegetarianismo e os argumentos que ela usa são argumentos principais do vegetarianismo até hoje”

A obra trata de aspectos sociais e humanitários do vegetarianismo, questionando a crueldade com os animais.

Ela dizia, meu modo de vida é o de quem se alimenta apenas dos frutos da terra. Em outras palavras, tenho horror à carne como alimento, e pertenço à Sociedade Vegetariana.

Kingsford foi cronicamente doente toda a sua vida, ela morreu de complicações de uma pneumonia na tenra idade de 42 anos, em 22 de fevereiro de 1888.



Mulher 500 anos.

Com raras exceções, as mulheres que se tornaram inesquecíveis, ao longo da história do Brasil, têm três coisas em comum: sedução, intimidade com o dinheiro, o poder, e um talento especial para escandalizar as pessoas.


A fidalga família de dona Ana Pimentel quase teve um chilique quando a linda e delicada jovem resolveu abandonar suas mordomias como dama de honra da corte e vir administrar pessoalmente a Capitania de São Vicente, que seu marido, Martim Afonso, tinha deixado ao deus-dará, Abalou-se ela de Portugal para a Colônia em 1534 botou ordem na casa e acabou virando a primeira mulher nos pais a governar de verdade.
De quebra, ainda trouxe e plantou ela mesma sementes de arroz e trigo e mudas de laranjeira.

Duas mineiras causariam escândalo e furor cerca de 200 anos depois, tornando-se figuras lendárias.
Contam que a escrava Xica da Silva tinha um corpo cor de jambo e uma cabeleira negra capazes de tirar os homens do sério.
O comerciante de diamantes João Fernandes de Oliveira caiu de amores por ela e pagou 2 contos(uma fortuna) pelo passe da mulata de 17 anos.
Deu-lhe castelos, mucamas, joias. Mandou construir um teatro para seu deleite. Inundou o sertão para que a bela pudesse velejar num mar particular.
Mulher do homem mais poderoso de Tijuco (atual Diamantina), Xica era e se comportava como uma rainha.
Foi amada, temida e finalmente abandonada por ele, quando o rei o chamou de volta a Lisboa.
Morreria cercada pelos catorze filhos e sem o esplendor dos bons tempos. , em 1796,quatro anos antes do nascimento de outra lenda Mineira.

Além de deslumbrante, Ana Jacinta de São José era um tipo raro numa terra de caboclos: loura de olhos azuis Foi sua gloria: a razão para tornar-se Dona Beija. Raptada aos 15 anos pelo ouvidor do rei caiu na boca do povo e nos braços de todos os que a quisessem.
Como todos a queriam e pagavam caríssimo por seus favores, resolveu ser empresária de si mesma: abriu em Araxá a Chácara do Jatobá, onde era a única cortesã, recebendo por noite vinte pagantes, mas só dormindo com um eleito.
Entre eles estava o ex-noivo, que, enlouquecido, contratou capangas para surrá-la. Beija mandou mata-lo. Foi julgada e absolvida porque o juiz era seu amante, e o promotor, pai de uma de suas filhas.
Não se sabe ao certo como terminou sua história. Conta à lenda que abandonou o oficio e gastou a fortuna tentando descobrir diamantes.
Morreu aos 40 anos, linda como aos 15, graças aos banhos com a lama de Araxá, seu segredo de beleza.


Maria Madalena.

As ruínas da torre do Migdal ou Magdala ainda estão lá, na região da Galiléia,em Israel, à beira do grande lago, marcando a terra onde nasceu Maria Madalena.

Ela acompanhou Jesus durante sua paixão e testemunhou a ressurreição.
Para não ser confundida com as demais, ganhou o nome de Maria da Magdala ou Maria Madalena. Por muito tempo, sua vida foi contada em lendas e seu nome viajou tanto para o Ocidente como para o Oriente.

Com isso, sua verdadeira história e seu trabalho intensivo na pregação das ideias de Jesus acabaram esquecidos, e a imagem de Madalena que ficou no Ocidente é apenas a da mulher pecadora que se tornou penitente.

Na França, conta-se que após a morte de Jesus, ela fugiu da Palestina num pequeno barco e aportou no sul dos pais.As lendas então tomam mais de um rumo: Madalena teria seguido para Les Baumes, na Provença, onde veio a morrer numa gruta depois de anos de penitência.
Até hoje é cultuada em Saint-Maximim-Les Baumes , onde estaria enterrada juntamente com São Maximino.

Em Vézelay, na Borgonha, a lenda difere e registra que suas relíquias estariam guardadas numa grande basílica dedicada à santa. Nas duas regiões francesas são muitas as peregrinações. Tomando a direção dos Pirineus , encontramos no vilarejo de Rennes-le-Château outra história muito curiosa: por volta de 1880, Bérenger Sauniére, pároco da Igreja de Santa Maria Madalena no local, teria encontrado, enterrados no templo, pergaminhos codificados relatando o destino de Jesus e Maria Madalena.

Acredita-se que esses manuscritos foram levados a Paris para ser examinados por especialistas em epigrafia e também por ocultistas, mas seu conteúdo exato foi sempre mantido em segredo. O que se sabe é que o religioso voltou riquíssimo da capital francesa e passou a construir igrejas dedicadas à santa Maria Madalena. Morreu na segunda década do século 20, e o segredo permaneceu. A essa história foram ligados de modo fantasioso os cátaros, membros de uma seita religiosa maniqueísta medieval, os templários e seu tesouro e até o aventuresco priorado de Sion.
Na Grâ-Bretanha, o culto a Maria Madalena vem desde o tempo dos anglo-saxões, como comprova a existência de seu dia santificado na Martirilogia do Santo Bede, um calendário muito antigo sobre as celebrações dos santos mártires datado do século 8.

Uma catedral britância, em Exter, declara ter suas relíquias desde o século 10. O mito se expandiu durante a invasão dos normandos, no século 11, por influencia da França, onde já existiam as primeiras igrejas dedicadas a Maria Madalena. No final da Idade Média, Madalena ali ainda era considerada uma santa com múltiplas interpretações, ao mesmo tempo destemida, santificada, mas também encarnando o arquétipo da pecadora (embora arrependida) – imagem consolidada no século 6, por influencia do papa Gregório Magno, para mostrar a importância da conversão, na sua tentativa de evangelizar a Inglaterra .

Em 1458, já em plena Renascença, os sábios da Universidade de Oxford deram a uma de suas mais importantes faculdades o nome de Magdalen College em homenagem à santa. Outra Universidade famosa, Cambridge, seguiu o exemplo em 1542. Também nas artes plásticas Madalena começou a marcar presença. Em 1303 e 1305, o italiano Giotto e depois dele os também italianos Sassetta e Ghirlandaio, entre outros já haviam pintado A Ultima Ceia com uma figura feminina ao lado de Jesus.

Mais tarde, em 1498 Leonardo Da Vinci fez o mesmo. No entanto, o maior centro difusor de lendas sobre Madalena nas Ilhas britânicas estava bem mais ao norte, na mítica capela de Rosslyn, próxima a Edimburgo, cidade berço da franco-maçonaria escocesa. Erguida em medos do século 15 por sir William Saint-Clair, toda decorada com símbolos e imagens que faziam referencia ao Graal, aos templários e à maçonaria, considerados pagãos, a capela acabou sendo interditada um século e meio mais tarde, tida como um “monumento da idolatria”. Só ganhou obras de restauro em 1861 passando a ser então muito visitada e alvo de enorme curiosidade.

Tantas lendas, algumas belas outras apenas pitorescas, fizeram com que fosse esquecido o verdadeiro desempenho de uma das implantadoras das casas-igrejas da Galileia, provavelmente uma das narradoras do Evangelho atribuído a João (senão a única), justamente o mais reflexivo dos quatro. Hoje se sabe que os Evangelhos não foram escritos exatamente pelas pessoas nomeadas, e o de João é uma das grandes dúvidas. Madalena, a principal das mulheres galileias que seguiram Jesus desde o inicio de seu ministério, desempenhou um dos mais importantes papeis como testemunha e propagadora da fé.

As mulheres do norte da Palestina tinham perfil inteligente, forte e emancipada, por influencia de cruzamento de rotas de passagem de diversos povos que fizeram da Galileia um lugar onde o pensamento era dos mais livres marcado por estruturas helenistas profundas, com forte intimidade com as várias crenças e filosofias, o ambiente galileu foi propicio para o desenvolvimento de mentalidades elevadas, como a de Madalena. Provável conhecedora do grego, além do aramaico, a principal língua da região. Acompanhou Jesus Cristo em todos os momentos. Ela foi a mulher que soube não apenas entender as palavras dele, mas ainda interpretá-las para os demais, tornando-se a principal construtora dos ensinamentos que ele deixou.

Documentos achados no deserto do Alto Egito, a partir do século 19, que haviam desaparecido nas perseguições do século 4 , trouxeram luz à verdadeira historia de Madalena ao lado de Jesus. Esses documentos apócrifos, isto é, secretos, foram confirmados por novo e importante achado, no meio do século passado, conhecido como Biblioteca de Nag Hammadi.

Ao serem decifrados, o mundo descobriu que se tratava dos evangelhos de Maria, de Tomás e de Filipe. Guardados nos maiores museus do mundo, na Inglaterra, Alemanha e Egito, e estudados pelos maiores especialistas, trouxeram à tona o relacionamento de Jesus e Madalena.

Madalena foi para Éfeso, hoje na Turquia, na época um dos maiores centros de saber da região, e lá trabalhou pelas ideias de Jesus até morrer.