Anna Kingsford

Contra a injustiça e a opressão, essa escritora, médica e religiosa morreu lutando a favor daquilo que acreditava: o vegetarianismo e a igualdade feminina. Dedicou sua vida para defender os preceitos em que acreditava. Sua preocupação com os direitos das mulheres foi de tal forma que ela se tornou uma oradora eloquente pública sobre o tema, promovendo uma educação igual para meninos e meninas, e da formação e reconhecimento dos médicos do sexo feminino.

Nos dias de sua infância ela costumava dizer que era “da família das fadas e não dos humanos”. Ela tinha visões e parece ter tido alguma habilidade psíquica. Mística, ela costumava colocar nas flores do jardim mensagens para as fadas, dizendo-se pertencente a essa linhagem.

Mas foi a escrita que ganhou sua dedicação e ela se refugiava nos versos para expressar suas ideias sem ser censurada. Ela tinha talento para música, canto, desenho e pintura; mas, mais do que tudo, ela era uma poetisa.

Em sua juventude o seu grande recurso foi escrever, e foi principalmente em versos que ela buscou expressão para suas ideias. A qualidade de seus poemas, enquanto ainda apenas uma criança, era tamanha que lhe conquistou espaço em várias revistas. Seu primeiro livro – Beatrice: a Tale of the Early Christians (Beatriz: um Conto dos Primeiros Cristãos) – publicado em 1863, foi escrito quanto tinha treze anos. A respeito dessa obra ela disse: “Tudo me veio como que pronto, e tive apenas que escrever”. Na dobra da capa de uma cópia desse livro, estão escritas as seguintes palavras:

“Receba-o Oh Senhor
E permita que seja,
Como algo que fiz para Vós!
Annie Bonus.”

Antes do final do ano ela havia passado no exame preliminar da escola de farmácia, e estava planejando, em breve, ir para Paris com o propósito de lá ser admitida na Faculdade de Medicina – uma vez que as autoridades em Londres haviam proibido o ingresso de mulheres nas suas faculdades de medicina. Formou-se em 1880.

Ela também foi influenciada pela questão do regime alimentar. Seguindo o conselho de seu irmão mais velho (John Bonus) ela já havia deixado de comer carnes “com tamanhos benefícios para ela mesma, física e mentalmente, que a levaram a ver nessa prática o único meio efetivo para a redenção do mundo, seja em relação aos próprios homens ou aos animais”.

O homem, sendo carnívoro e se sustentando por meio da matança e da tortura, não era para ela de modo algum homem, em qualquer sentido verdadeiro do termo.

Ela também escreveu: “Dois caminhos se estendem ante os homens – o caminho do bem e o caminho do mal – e o homem é livre para escolher entre eles. Os homens de Ciência devem escolher, assim como os comerciantes, escritores ou artistas. A perspectiva do sucesso pode seduzir aquele que entra no caminho do mal, mas isso é o glamour de uma sutil armadilha, e que cedo ou tarde acabará em catástrofe; pois não foi nenhum princípio do mal que construiu o universo. Um método que é moralmente errado não pode ser cientificamente correto. O teste da consciência é o teste da validade”.

Por essa motivação, o trabalho de conclusão de curso de Anna chamou-se: Da Alimentação vegetariana para o Ser Humano, que imediatamente foi considerado como um dos textos mais importantes sobre o assunto, e foi traduzido para várias línguas.

“Essa obra é um marco na história do vegetarianismo e os argumentos que ela usa são argumentos principais do vegetarianismo até hoje”

A obra trata de aspectos sociais e humanitários do vegetarianismo, questionando a crueldade com os animais.

Ela dizia, meu modo de vida é o de quem se alimenta apenas dos frutos da terra. Em outras palavras, tenho horror à carne como alimento, e pertenço à Sociedade Vegetariana.

Kingsford foi cronicamente doente toda a sua vida, ela morreu de complicações de uma pneumonia na tenra idade de 42 anos, em 22 de fevereiro de 1888.



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