Mulher 500 anos.

Com raras exceções, as mulheres que se tornaram inesquecíveis, ao longo da história do Brasil, têm três coisas em comum: sedução, intimidade com o dinheiro, o poder, e um talento especial para escandalizar as pessoas.


A fidalga família de dona Ana Pimentel quase teve um chilique quando a linda e delicada jovem resolveu abandonar suas mordomias como dama de honra da corte e vir administrar pessoalmente a Capitania de São Vicente, que seu marido, Martim Afonso, tinha deixado ao deus-dará, Abalou-se ela de Portugal para a Colônia em 1534 botou ordem na casa e acabou virando a primeira mulher nos pais a governar de verdade.
De quebra, ainda trouxe e plantou ela mesma sementes de arroz e trigo e mudas de laranjeira.

Duas mineiras causariam escândalo e furor cerca de 200 anos depois, tornando-se figuras lendárias.
Contam que a escrava Xica da Silva tinha um corpo cor de jambo e uma cabeleira negra capazes de tirar os homens do sério.
O comerciante de diamantes João Fernandes de Oliveira caiu de amores por ela e pagou 2 contos(uma fortuna) pelo passe da mulata de 17 anos.
Deu-lhe castelos, mucamas, joias. Mandou construir um teatro para seu deleite. Inundou o sertão para que a bela pudesse velejar num mar particular.
Mulher do homem mais poderoso de Tijuco (atual Diamantina), Xica era e se comportava como uma rainha.
Foi amada, temida e finalmente abandonada por ele, quando o rei o chamou de volta a Lisboa.
Morreria cercada pelos catorze filhos e sem o esplendor dos bons tempos. , em 1796,quatro anos antes do nascimento de outra lenda Mineira.

Além de deslumbrante, Ana Jacinta de São José era um tipo raro numa terra de caboclos: loura de olhos azuis Foi sua gloria: a razão para tornar-se Dona Beija. Raptada aos 15 anos pelo ouvidor do rei caiu na boca do povo e nos braços de todos os que a quisessem.
Como todos a queriam e pagavam caríssimo por seus favores, resolveu ser empresária de si mesma: abriu em Araxá a Chácara do Jatobá, onde era a única cortesã, recebendo por noite vinte pagantes, mas só dormindo com um eleito.
Entre eles estava o ex-noivo, que, enlouquecido, contratou capangas para surrá-la. Beija mandou mata-lo. Foi julgada e absolvida porque o juiz era seu amante, e o promotor, pai de uma de suas filhas.
Não se sabe ao certo como terminou sua história. Conta à lenda que abandonou o oficio e gastou a fortuna tentando descobrir diamantes.
Morreu aos 40 anos, linda como aos 15, graças aos banhos com a lama de Araxá, seu segredo de beleza.


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