Maria Madalena.

As ruínas da torre do Migdal ou Magdala ainda estão lá, na região da Galiléia,em Israel, à beira do grande lago, marcando a terra onde nasceu Maria Madalena.

Ela acompanhou Jesus durante sua paixão e testemunhou a ressurreição.
Para não ser confundida com as demais, ganhou o nome de Maria da Magdala ou Maria Madalena. Por muito tempo, sua vida foi contada em lendas e seu nome viajou tanto para o Ocidente como para o Oriente.

Com isso, sua verdadeira história e seu trabalho intensivo na pregação das ideias de Jesus acabaram esquecidos, e a imagem de Madalena que ficou no Ocidente é apenas a da mulher pecadora que se tornou penitente.

Na França, conta-se que após a morte de Jesus, ela fugiu da Palestina num pequeno barco e aportou no sul dos pais.As lendas então tomam mais de um rumo: Madalena teria seguido para Les Baumes, na Provença, onde veio a morrer numa gruta depois de anos de penitência.
Até hoje é cultuada em Saint-Maximim-Les Baumes , onde estaria enterrada juntamente com São Maximino.

Em Vézelay, na Borgonha, a lenda difere e registra que suas relíquias estariam guardadas numa grande basílica dedicada à santa. Nas duas regiões francesas são muitas as peregrinações. Tomando a direção dos Pirineus , encontramos no vilarejo de Rennes-le-Château outra história muito curiosa: por volta de 1880, Bérenger Sauniére, pároco da Igreja de Santa Maria Madalena no local, teria encontrado, enterrados no templo, pergaminhos codificados relatando o destino de Jesus e Maria Madalena.

Acredita-se que esses manuscritos foram levados a Paris para ser examinados por especialistas em epigrafia e também por ocultistas, mas seu conteúdo exato foi sempre mantido em segredo. O que se sabe é que o religioso voltou riquíssimo da capital francesa e passou a construir igrejas dedicadas à santa Maria Madalena. Morreu na segunda década do século 20, e o segredo permaneceu. A essa história foram ligados de modo fantasioso os cátaros, membros de uma seita religiosa maniqueísta medieval, os templários e seu tesouro e até o aventuresco priorado de Sion.
Na Grâ-Bretanha, o culto a Maria Madalena vem desde o tempo dos anglo-saxões, como comprova a existência de seu dia santificado na Martirilogia do Santo Bede, um calendário muito antigo sobre as celebrações dos santos mártires datado do século 8.

Uma catedral britância, em Exter, declara ter suas relíquias desde o século 10. O mito se expandiu durante a invasão dos normandos, no século 11, por influencia da França, onde já existiam as primeiras igrejas dedicadas a Maria Madalena. No final da Idade Média, Madalena ali ainda era considerada uma santa com múltiplas interpretações, ao mesmo tempo destemida, santificada, mas também encarnando o arquétipo da pecadora (embora arrependida) – imagem consolidada no século 6, por influencia do papa Gregório Magno, para mostrar a importância da conversão, na sua tentativa de evangelizar a Inglaterra .

Em 1458, já em plena Renascença, os sábios da Universidade de Oxford deram a uma de suas mais importantes faculdades o nome de Magdalen College em homenagem à santa. Outra Universidade famosa, Cambridge, seguiu o exemplo em 1542. Também nas artes plásticas Madalena começou a marcar presença. Em 1303 e 1305, o italiano Giotto e depois dele os também italianos Sassetta e Ghirlandaio, entre outros já haviam pintado A Ultima Ceia com uma figura feminina ao lado de Jesus.

Mais tarde, em 1498 Leonardo Da Vinci fez o mesmo. No entanto, o maior centro difusor de lendas sobre Madalena nas Ilhas britânicas estava bem mais ao norte, na mítica capela de Rosslyn, próxima a Edimburgo, cidade berço da franco-maçonaria escocesa. Erguida em medos do século 15 por sir William Saint-Clair, toda decorada com símbolos e imagens que faziam referencia ao Graal, aos templários e à maçonaria, considerados pagãos, a capela acabou sendo interditada um século e meio mais tarde, tida como um “monumento da idolatria”. Só ganhou obras de restauro em 1861 passando a ser então muito visitada e alvo de enorme curiosidade.

Tantas lendas, algumas belas outras apenas pitorescas, fizeram com que fosse esquecido o verdadeiro desempenho de uma das implantadoras das casas-igrejas da Galileia, provavelmente uma das narradoras do Evangelho atribuído a João (senão a única), justamente o mais reflexivo dos quatro. Hoje se sabe que os Evangelhos não foram escritos exatamente pelas pessoas nomeadas, e o de João é uma das grandes dúvidas. Madalena, a principal das mulheres galileias que seguiram Jesus desde o inicio de seu ministério, desempenhou um dos mais importantes papeis como testemunha e propagadora da fé.

As mulheres do norte da Palestina tinham perfil inteligente, forte e emancipada, por influencia de cruzamento de rotas de passagem de diversos povos que fizeram da Galileia um lugar onde o pensamento era dos mais livres marcado por estruturas helenistas profundas, com forte intimidade com as várias crenças e filosofias, o ambiente galileu foi propicio para o desenvolvimento de mentalidades elevadas, como a de Madalena. Provável conhecedora do grego, além do aramaico, a principal língua da região. Acompanhou Jesus Cristo em todos os momentos. Ela foi a mulher que soube não apenas entender as palavras dele, mas ainda interpretá-las para os demais, tornando-se a principal construtora dos ensinamentos que ele deixou.

Documentos achados no deserto do Alto Egito, a partir do século 19, que haviam desaparecido nas perseguições do século 4 , trouxeram luz à verdadeira historia de Madalena ao lado de Jesus. Esses documentos apócrifos, isto é, secretos, foram confirmados por novo e importante achado, no meio do século passado, conhecido como Biblioteca de Nag Hammadi.

Ao serem decifrados, o mundo descobriu que se tratava dos evangelhos de Maria, de Tomás e de Filipe. Guardados nos maiores museus do mundo, na Inglaterra, Alemanha e Egito, e estudados pelos maiores especialistas, trouxeram à tona o relacionamento de Jesus e Madalena.

Madalena foi para Éfeso, hoje na Turquia, na época um dos maiores centros de saber da região, e lá trabalhou pelas ideias de Jesus até morrer.

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